Fernando de Noronha

Gigante da Meia Noite

Uma história ligada à pesca, tradicional atividade insular, praticada por homens presos e por gente livre, como obrigação e como lazer. Diz a lenda que um homem de estatura gigantesca costumava aparecer no meio da noite, no pesqueiro da Ponta da Sapata, nas noites claras de lua. Com um enorme chapéu desabado sobre o rosto, trazendo um samburá cheio de sardinhas "que alumiavam feito prata" ele deixava todos os pescadores que estivessem naquelas paragens arrepiados de medo, sabendo que, a partir do instante em que aquela assombração começasse a pescar, todos os peixes iriam para o seu anzol e ninguém mais apanharia peixe algum.

Muitos desafiaram o "Gigante da Meia-noite", tentando segui-lo quando ele ia embora ou tentando continuar a pescar, apesar da maldição que ele parecia deitar nas pescarias... Ninguém jamais o apanhou. Por mais que corressem, aquele homem enorme, que andava vagarosamente, estava sempre à frente... Quase sempre, ele tomava o caminho da Casa Grande do Sueste e... desaparecia!

Também este lugar, na estrada velha do Sueste, foi sempre considerado mal-assombrado. Casa que servia como local de "veraneio" dos comandantes do presídio, esse antigo chalé, durante um certo tempo, abrigou um hospital de beribéricos, para onde iram os doentes do arquipélago em busca de cura. Os que morriam, eram sepultados no quintal da casa, vindo dai a fama de ser o lugar também mal-assombrado.

Era aí, nesse vasto pátio soturno, que o Gigante da Meia-noite dançava com seus fantasmas-comparsas, enquanto uma "orquestra" de duendes provocava o som rouco de seus acordes noturnos.

Uma lenda que tudo a ver com a figura do pescador, tão familiar aos noronhenses e com a vocação de ser a ilha um local de cura para algumas doenças que exigiam, sobretudo, a fartura das frutas que restabelecessem os organismos abatidos pela carência de vitaminas.

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