Fernando de Noronha

Patrimônio Edificado da Vila dos Remédios

- Igreja de Nª Sª dos Remédios

Principal templo católico de Fernando de Noronha, teve sua construção iniciada em 1737 e concluída toda a obra de estrutura em 1772, data que ostenta em sua fachada, sendo-lhe acrescidos os ornamentos e bens culturais móveis a partir de então, finalizando em 1784.

Foi essa devoção que inspirou a denominação do principal forte aí construído e de toda a Vila. E a Virgem dos Remédios foi tomada como padroeira do presídio comum desde 1768. Em 1789 esse templo foi eclesiasticamente ligado à Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves, como extensão da mesma. Essa dependência existe até os nossos dias.

Em 1891 acontece a sua primeira grande restauração, seguidas de novas intervenções em 1915 e em 1919. A última e fidedigna restauração aconteceu em 1988, com recursos federais, e teve sua inauguração presidida pelo Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara. Em 1997, o templo foi revitalizado pela pintura e iluminação noturna, sobressaindo-se na paisagem à noite.

Em 1981, esta igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sendo o segundo monumento a receber esse diferencial, no arquipélago. Em 1998, ocorreu a revitalização da igreja pela pintura, quando o templo voltou a ter suas cores originais.


- Palácio São Miguel

Sede da administração do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, foi construído em 1947/48, por sobre as ruínas da antiga "Directoria do Presídio". Esta era um casarão colonial situado no centro da praça d´armas da Vila dos Remédios, com janelas ogivais, um só pavimento e grande escadaria de acesso. O palácio foi erguido por pessoas da própria ilha, sob a coordenação do ex-preso político comunista Mariano Lucena.

Sua construção e alteração arquitetônica teve como objetivo acolher a sede do governo do Território Federal Militar. Em alguns períodos de governo, o pavimento inferior serviu também como residência do Governador. No seu interior, em algumas paredes, foram deixadas evidências da construção anterior, em pedra, fruto da mão-de-obra carcerária então existente.

Inaugurado em 1948, possui móveis de meados do século e duas telas de valor ornamental e de grande porte, obras do pintor pernambucano Wash Rodrigues, levado a Noronha exatamente para executar esse trabalho. Há também um vitral, com a imagem do arcanjo São Miguel, em tamanho natural, feito pela vitralista Aurora Lima, discípula do artista alemão Henri Moser, restaurado no ano 2000 por seguidores da escola de Moser.


- Antigo Armazém de Produtos Agrícolas

Armazém Agrícola
Uma edificação com o maior volume da arquitetura civil de Noronha, como o comprova a iconografia de muitos períodos, na qual o prédio aparece com muitos usos. É hoje objeto de interesse como marco da recuperação da cenografia da Ilha.

Entre várias funções, serviu como residência do Diretor do Presídio, armazém de produtos agrícolas, almoxarifado, padaria, marcenaria, aquartelamento de soldados no período da II Guerra Mundial e, novamente, como residência de ilhéus. Por fim, abandonado, começou a se deteriorar, sabendo-se com certeza que ele estava de pé e ainda coberto em 1972.

Os danos na edificação já são bastante significativos e precisam ser combatidos, para que não haja a perda total desse excelente exemplar da arquitetura civil da ilha. A principal proposta de requalificação é transformá-lo em um espaço cultural contemporâneo, pela sua excelente localização e proporções arquitetônicas.

Em 2003, foi registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos – CNSA -, do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


- Antigo Armazém de Cereais

Armazém de Cereais – uma edificação de grande porte, localizada no final da praça diante da Igreja dos Remédios, servia para a estocagem de cereais e, depois, como “garagem do presídio”. Abandonada, foi sendo destruída e, em 1990, parte dela foi restaurada para abrigar o Terminal Turístico da praia do Cachorro, como apoio aos cruzeiros marítimos iniciados naquele ano e hoje abriga o famoso "Bar do Cachorro.


- Antiga Aldeia de Sentenciados

Única edificação remanescente do sistema carcerário que funcionou em Fernando de Noronha por mais de 200 anos, a "Aldeia dos Sentenciados" é uma construção notável, de grande porte, com espaços internos bem definidos, projetado para abrigar presos solteiros.

Localizado na Vila dos Remédios, na antiga Praça d´Armas, próxima ao Palácio São Miguel, teve - no século passado e a partir da permissão para serem enviadas mulheres presas ao arquipélago - também a denominação de "Presídio Feminino", por abrigar as sentenciadas. No seu interior, existiram celas coletivas, espaços para presos confinados, padaria, refeitório, cozinha, setores administrativos e pátios internos "a céu aberto".

Diante dessa edificação os presos de bom comportamento, que residiam com suas famílias, eram obrigados à chamada matinal a cada dia. Ao seu lado ficam as ruínas do Clube Atlântico, erguido sobre o que restava do antigo chalé do Cabo Francês. Durante a II Guerra Mundial, o edifício abrigou soldados. Depois, abandonado, passou a servir como residência improvisada, situação que mantém até hoje.


- Jardim Elizabeth

Espaço utilizado como local de aclimatação de plantas, desde o século XVII, foi também a "Horta da Vila", pensada para abastecer a Vila dos Remédios de produtos agrícolas. Possui ainda pontes, terraços apropriados para a agricultura, estradas em pedra, fora a farta vegetação. É também um marco funcional de Noronha, como porto de reparo de navios, usando-se o material abundante nessas áreas de reflorestamento permanente.

Redescoberto em 1997, quando do levantamento dos elementos que orientariam a implantação do "Projeto Trilhas Ecoturísticas", constitui-se um aprazível recanto, que tem hoje um fluxo turístico constante.


- Vias Seculares

Núcleo original, erguido no século XVIII, a Vila dos Remédios exigiu a construção de acessos por toda a ilha, interligando-a aos outros pontos ocupados e gerando um sistema viário feito em pedra, com a mão-de-obra carcerária. Destacam-se a Estrada do Pico, a Estrada da Porto, a Rua da Estrela, a Estrada da Ponte. Todos esses caminhos aparecem na planta de José Fernandes Portugal, feita em 1798.

Essas vias de acesso foram se degradando com o uso e, sobretudo, com a introdução do veículo para locomoção na ilha. Grandes trechos sem pedra, apresentam problemas de decomposição do calçamento, ameaçados no seu uso pela fragilidade de todo o sistema.


- Bica da praia do Cachorro

Uma bica secular, que serve para banho de água doce daqueles que usam a Praia do Cachorro como lazer. Localiza-se ao lado do Reduto de Sant'Anna, implantado no século XVIII. Está parcialmente arruinada, não existindo mais a cara de cachorro que lhe deu o nome e que era em bronze, num belo trabalho artístico. Existem registros dessa área desde o começo do século passado, sendo a bica utilizada ainda hoje.


- Antiga Escola

As primeiras experiências de ensino, em Noronha, foram improvisadas. Usou-se a sacristia da igreja como ponto de apoio à escola. No final do século passado, algumas edificações simples, erguidas para serem residências, foram improvisadas como escolas para meninos e para meninas. Já neste século, na Praça d´armas, defronte à "Directoria do Presídio", uma edificação foi construída para ser escola, com duas salas de aula (classe feminina e classe masculina) e a diretoria escolar.

Um solário completava a bela edificação, com o brasão da República no alto. No período da II Guerra Mundial, essa casa foi usada como sede da Rádio PTI, acrescentando-se no solário os espaços que atendiam a esse fim e uma antena na parte posterior. Para acesso ao solário uma escada foi colocada também na parte posterior do prédio.

Abandonada, a edificação arruinou-se quase que completamente, sendo salva pelo Banco Real, já implantado na ilha desde 1975 (em sala do Palácio São Miguel), que o adaptou para abrigar a agência bancária. Na impossibilidade de restaurar-se o solário, foi-lhe colocado um telhado em telha canal, semelhante ao que foi utilizado na igreja vizinha. Dentro da agência, um painel retrospectivo demonstra, iconograficamente, as faces dessa edificação, através dos tempos.

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