Fernando de Noronha

Educação

Para que melhor se possa formar idéia sobre o que seja a educação em Fernando de Noronha, é necessário considerar alguns aspectos. A característica geográfica, sócio e econômica local, se difere e muito das ocorridas no continente.

Geograficamente Fernando de Noronha é parte integrante de um arquipélago distante 550 km de Recife e 375 km de natal. Constituí-se de 20 rochedos e ilhas, é na maior, com 16 km de área, que vivem todos os seus habitantes. O sistema viário é composto da BR 376, com 7.9km de extensão aproximadamente, ligando o porto ao aeroporto, em torno da qual situam-se os núcleos habitacionais, e ruas secundárias que dão acesso às praias e a todas as áreas habitadas de Fernando de Noronha.

Aproximadamente 2.100 pessoas residem no arquipélago, dos quais, aproximadamente, 180 se encontram matriculados na Escola-Bem-me-quer, no ensino da pré-escola, e 630 na Escola Arquipélago, no ensino Fundamental e Médio. Logo, mais de 1/3 da população noronhense é parte integrante da única rede de ensino disponível no arquipélago. A rede Pública Estadual.

O arquipélago é de origem vulcânica, localizada no Atlântico Equatorial, descoberto em 1503 por Américo Vespúcio, participante da segunda expedição exploradora da costa brasileira, cujo comando estava sob a responsabilidade de Gonçalo Coelho. O financiamento da expedição estava a cargo do fidalgo português Fernão de Loronha.

A descoberta do arquipélago se deu por acaso, uma vez que a nau bateu e naufragou no local conhecido como pedras secas, e toda a tripulação foi salva na ilha principal, onde permaneceram por quase dois anos, até serem resgatados e levados a Portugal.

Longos anos de abandono se seguem. O financiador da expedição recebe da coroa portuguesa o arquipélago sob a forma de capitania hereditária, fato ocorrido em 1504, todavia, jamais esteve no local. A partir de 1530 o Brasil passou a ser colonizado, e suas terras doadas também sob a forma de capitanias hereditárias sendo Fernando de Noronha a 1ª capitania hereditária do Brasil.

Após 1556 Noronha passa a ser abordados por franceses, piratas e holandeses. Os franceses inclusive, estiveram na ilha diversas vezes, a saber: 1556, 1612 e 1736. Há registro de permanência pirata e de Holandeses. A Holanda invadiu Noronha por volta de 1620, e lá permaneceu até sua derrota e expulsão dos bravos pernambucanos, ocorridas em meados de 1654.

Com este esboço, elucidamos o início das atividades da Escola Arquipélago Fernando de Noronha. Todavia, não há como falar do início das atividades da Escola, sem antes falar da descoberta do Arquipélago, seu abandono, suas constantes abordagens por parte de diversas nações européias e as deficiências e dificuldades enfrentadas para sua colonização e a implantação de um sistema de aprendizado e escolarização da população insular.

Pela sua localização geográfica privilegiada no Atlântico Equatorial, e sua inclusão na rota dos roteiros de navegação. Noronha passou a ser ponto estratégico para vários roteiros e intenções

Após a expulsão dos holandeses do nordeste do Brasil, e conseqüentemente de Fernando de Noronha, a ilha passou novamente por longo período de aparente esquecimento e conseqüente abandono. Só em 1737, passou a receber presos regularmente, ocasião que se consolidou como Colônia Correcional. As atividades de presídio correcional permaneceu até 1938

A primeira evidência de um estabelecimento específico voltado exclusivamente para o ensino se deu em 1890 conforme registro do livro de matrícula da Escola Púbica Mista do Presídio de Fernando de Noronha, estabelecida no local onde atualmente funciona o banco Real. O livro evidencia atividades constantes até 1916.

Várias outras unidades de ensino foram criadas e mantidas no Arquipélago, a exemplo do Grupo Escolar Major Costa fundado em 1957 e o ginásio fundado em 29 de fevereiro de 1964, funcionando onde hoje se encontra o Parque Flamboaiã, e através de vários convênios e dotações orçamentária, Noronha passou por diversas tentativas de implantação e modalidades de ensino, tudo na condição de território federal. Por está localizada geograficamente no meio, do oceano atlântico, muito tempo se perdeu até que se encontrasse um caminho para organizar uma estrutura capaz de atender a população insular, e ainda assim, de forma irregular se comparado ao aparato procedimental e as facilidades de mão - de - obra especializada encontrado no continente.

Em 02 de março de 1972, através da lei de nº. 5.692, de 11 de agosto de 1971, é constituída a Unidade Integrada de Ensino de 1º Grau do Território Federal de Fernando de Noronha, que absorve as atividades da Escola Major Costa e do Ginásio de Noronha. Para a consecução de seus objetivos a U.I.E. era mantida pelo MEC através do Departamento de educação e Cultura do então Território, sob o regime de externato, absorvendo inclusive crianças com idade de 03 a 06 anos, freqüentadoras do jardim da Infância.

Desde os primórdios que a educação em Noronha padece de corpo docente habilitado para suas atividades. Na época do Brasil colônia, a docência era realizada pelas esposas dos Comandantes-Governadores, sendo sucedidas pelas esposas dos militares e por leigos da própria comunidade que, alfabetizados, passavam os ensinamentos das primeiras letras.

Em 1981, foram firmados convênios com diversos colégios em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, nas modalidades de ensino internos e externos, foram eles: Diocesano de Garanhuns, Colégio Santa Dorotéia de Pesqueira, Colégio Santa Águida de Ceara-Mirin no RGN, Colégio São Bento de Olinda, Colégio Maria Tereza em Recife e a Escola técnica de Natal, CEPREVE de Recife, e Colégio Elo no Recife.

A implantação do ensino de 2º grau (supletivo) se deu em agosto de 1985 e funcionava em duas salas no horário noturno nas dependências do U.I.E. Este projeto experimental foi batizado de CES-(Centro de Estudos Supletivos de Fernando de Noronha). Com isto, constatamos que algumas deficiências e dificuldades sentidas pelos os envolvidos com a educação da comunidade noronhense de então, permanecem em grande parte, até hoje.

Em 1988 com a reanexação, de Fernando de Noronha volta à Pernambuco, e a escola passa a ser administrada pela Secretaria de Educação do Estado, passando a se chamar Escola Arquipélago Fernando de Noronha.

Hoje a instituição passa por inúmeras inovações que vão da estrutura física e passa por uma atualização metodológica e pedagógica, atendendo as necessidades que se apresentam nesse espaço insular.

Logo, ensinar em Noronha é um constante aprendizado.

Arquipélago Fernando de Noronha


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