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30/08/2017 - Noronha em festa: Igreja Nossa Senhora dos Remédios torna-se paróquia

Um sonho antigo se tornou realidade em Fernando de Noronha: a igreja de Nossa Senhora dos Remédios foi elevada a matriz de uma nova paróquia, 280 anos após o início de sua construção. O novo título foi conquistado no dia 29, data dedicada à santa, que também é padroeira da ilha, em cerimônia conduzida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. A partir de agora, a paróquia terá acervo documental próprio, um pároco residente e um CNPJ, que permitirá a implantação de projetos sociais e captação de recursos com mais facilidade.

“O nosso desejo é antigo, pois eu ouvia desde que cheguei à arquidiocese, como bispo auxiliar, mas nunca tinha sido possível devido à escassez de padres e outras dificuldades. Agora estamos numa fase boa de vocações e isso eleva a autoestima do povo de Noronha, que poderá incrementar ainda mais a ação pastoral e missionária do arquipélago”, explicou dom Fernando. Antes a igreja estava subordinada à Madre de Deus, no Recife.

O ato de criação da paróquia número 128 foi lido e o padre Flávio José fez o juramento, tornando-se o primeiro pároco da Matriz Nossa Senhora dos Remédios. “O significado de paróquia é muito importante. Desde o momento em que a ilha começa a reunir fiéis para a santa missa surge esse desejo. Também é um orgulho ser o primeiro padre depois de quase 300 anos da construção da nossa igreja. A agora a salvação das almas de cada um dos féis da ilha está sob minha responsabilidade”, afirmou padre Flávio.

Uma das principais mudanças será a realização de missas todos os dias, às 20h. A realização de casamentos e outros sacramentos da igreja também mudam, para melhor. Os trâmites serão diretamente com esta paróquia já que o acervo documental e os registros ficarão guardados na ilha e não mais na antiga sede paroquial.

Com igreja lotada, a missa solene contou com a presença do administrador da ilha, Luís Eduardo Antunes, os conselheiros distritais e a população do arquipélago. “Noronha está fincada há mais de 300 anos onde um filho de Francisco de Assis chega e começa a pregação. Hoje a gente tem essa gratificação e isso mostra que a igreja está madura, que a arquidiocese confia e acredita que podemos fazer um trabalho diferenciado. Só quem ganha é a comunidade católica da ilha”, afirmou Antunes.

Irmã Querubina, religiosa que fez trabalhos na década de 90 voltou à ilha especialmente para a celebração. Para a historiadora Marieta Borges, que passou três anos sem ir ao arquipélago devido a um tratamento de saúde, este foi um momento marcante. “É um dia histórico. Não pensei que estivesse viva para ver isso, tanta luta para essa comunidade se juntar e ver essa maravilha de celebração. Houve abandono e épocas nas quais não tínhamos sequer padre, mas um capelão militar Eu fiz esse hino em 1986 e tive medo de não consegui cantar, é muita emoção”, revelou após entoar o cântico para o público presente.

Atualmente, a igreja desenvolve atividades de catequese junto aos alunos da escola e também um trabalho de ensino de música para 15 crianças, que realizaram uma apresentação de flauta doce para as autoridades presentes à celebração. “Nos deixa feliz saber que agora somos paróquia e poderemos realizar vários trabalhos sociais. Tudo fica mais fácil”, comentou a funcionária pública Lourdes Pontual, 48 anos, moradora da ilha há 30 anos e frequentadora das missas.

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